Quero um Amor de Mentira
O poeta, por dentro, sangra
Acostumado a solidão.
Costume que estancou o verso,
Dominado pelo cérebro,
Preso em um mar sem ilusão.
Nessas linhas me redimo,
Buscando ouvir o que por tempos calei.
Quero novamente sangrar,
Mas não pelo que já pensei.
Como redescobrir o caminho,
Daqueles que mal sabem andar?
Encontrar a trilha escondida,
Sem pedaços de pão, para não mais voltar.
Aquele verso estancando,
Aquela ilusão não vivida,
Aquele presente passado,
Aquele amor de esquina.
Não tem valor essa vida
Sem sentimento no peito.
Não digo por amigo,
Tão pouco altruísta,
Mas um amor de mentira,
Daqueles que já se sabe que não tem jeito.
Desses que de cara o coração já sente
Que a cada batida mais forte
Mais estoura o peito.
Como um prazeroso trago
Que enche os pulmões do que não fica
Largando só cinzas por dentro